Animal não é mercadoria e saúde não é privilégio.
A população brasileira convive com uma grave e persistente negligência em relação à saúde pública dos animais de estimação. Falta atendimento clínico acessível, faltam postos públicos distribuídos pelo país e faltam exames diagnósticos básicos. Essa omissão resulta em sofrimento evitável, mortes precoces e riscos diretos à saúde pública.
É fundamental destacar que o acesso à saúde animal deve ser universal. O serviço público veterinário e a oferta de vacinas múltiplas (como a V10 para cães e V5 para gatos) não devem ser restritos por critérios de renda, mas garantidos a todos os cidadãos como um direito básico. A imunização e o controle de doenças são pilares de segurança sanitária nacional; segregar o acesso por classe social é comprometer a eficácia de qualquer barreira epidemiológica.
Infelizmente, essa universalização encontra resistência em lógicas de mercado que priorizam o lucro sobre a vida. Observa-se uma pressão para que a saúde animal permaneça restrita ao setor privado, transformando a prevenção de doenças em um produto de prateleira inacessível para muitos.
Quando barreiras institucionais e o lobby corporativista agem para frear a expansão de serviços públicos, o que está em jogo não é a ética profissional, mas a manutenção de uma reserva de mercado excludente. Impedir que a população tenha acesso a vacinas modernas e exames no sistema público, sob a justificativa de "não interferir na livre iniciativa e no lucro de grupos privados", é uma inversão de valores que coloca o capital acima da saúde coletiva.
A saúde pública é indivisível. O Estado deve garantir que o cuidado animal seja um serviço de interesse social, livre das amarras de interesses financeiros de nicho. O bem-estar da sociedade não pode ser refém de quem enxerga a medicina apenas como oportunidade de negócio.
Lembrem-se: animal não é mercadoria e saúde não é privilégio. Quando o lucro fala mais alto, a saúde de todos é colocada em risco — e isso é inaceitável.