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Mostrando postagens de março, 2026

Da “estatal fechada” à “sociedade de economia mista”: como garantir eficiência sem criar monopólios privados.

​O benefício da privatização vem da competição. Sem concorrência, o incentivo para baixar preços e melhorar o serviço desaparece. O que sobra é o "capitalismo de compadrio" ou "capitalismo selvagem": grandes grupos privados lucrando alto com reserva de mercado garantida pelo Estado e esmagando empresas menores. ​Privatizar setores monopolistas ou empresas que operam em oligopólio não gera um mercado competitivo; gera concentração econômica privada; gera privilégios. ​Deste modo, quando a manutenção do controle total de uma estatal em setores estratégicos torna-se inviável devido à incompetência administrativa ou à corrupção, a desestatização deve ocorrer, preferencialmente, por meio da abertura de capital. Ou seja, em vez de simplesmente "entregar" o monopólio ao setor privado, adota-se o modelo de Sociedade de Economia Mista. Nesse modelo, a entrada de capital privado impõe padrões mais rígidos de governança e fiscalização, combatendo a má gestão. Essa tr...

O voto por afinidade: quando a popularidade substitui a competência

Nos últimos meses — impulsionados pela preparação para as eleições de 2026 — observamos uma movimentação estratégica dos partidos políticos para intensificar a filiação de influenciadores digitais. A lógica por trás dessa escolha é direta: converter seguidores em votos. Em um cenário altamente competitivo, a popularidade nas redes sociais tornou-se um ativo eleitoral valioso, capaz de reduzir custos de campanha e ampliar o alcance das narrativas. No entanto, esse fenômeno expõe uma fragilidade preocupante no comportamento do eleitorado: um padrão de escolha cada vez menos pragmático. Para uma parcela significativa dos eleitores, a visibilidade passou a pesar mais do que a capacidade técnica. A familiaridade supera a qualificação, e a identificação emocional — muitas vezes construída por narrativas simplificadas ou discursos de indignação — se sobrepõe à análise de propostas, histórico e formação. Consolida-se, assim, uma lógica perigosa: quem chama atenção conquista espaço; quem gera e...